Porque Jogar
O jogo provoca um conflito interno,
que leva o indivíduo a encontrar soluções aos seus problemas. Seu pensamento sai enriquecido
e reestruturado, apto a lidar com novas transformações. O jogo assume,
portanto uma postura desafiadora e motivadora. O desafio é o que seduz no jogo. O
desafio supõe, contudo, como condição prévia o desenvolvimento do espírito
lúdico. Caso contrário, o desafio se reduz a resultado, esquecendo-se que o
importante é a experiência do processo que nos conduz a ele.
O jogo é imprescindível ao processo de
desenvolvimento do indivíduo. Tem função vital principalmente como forma de
assimilação da realidade, além de ser culturalmente útil para a sociedade como
expressão de ideais comunitários.
Jogos Educativos
O jogo,
ao motivar as crianças, faz com que elas estejam ativas mentalmente, e as leva à
superação dos obstáculos cognitivos e emocionais. Por ser uma atividade onde a
criança se sente livre e sem pressões, cria um clima propício à experimentação, à
descoberta e à reflexão, sendo por isso um estimulador para a aprendizagem.
O jogo além de propiciar diversão e estar presente na interação com o meio,
revela uma lógica diferente da racional, a lógica de subjetividade tão necessária
a estruturação da personalidade humana quanto a formação das estruturas cognitivas.
Ele atua no campo psicológico, pois revela a personalidade do jogador (leva ao
conhecimento de si mesmo) e atua também como resgate e identificação de sua
cultura (a cultura lúdica depende da cultura e do meio social em que o indivíduo
está inserido). A cultura lúdica, como se vê então, forma uma bagagem cultural
que a criança pode utilizar para assimilar, de forma dinâmica, a cultura.
"Na brincadeira,a criança se relaciona com conteúdos culturais que ela reproduz e transforma,
dos quais ela se apropria e lhes dá uma significação". A cultura, antes algo externo,
do qual a criança não tem o controle, é submetida a brincadeira, uma atividade
que a criança domina, uma atividade sobre a qual ela tem interesse e prazer.
Portanto a brincadeira é uma ferramenta importantíssima para a construção de um
sujeito autônomo, na medida em que, através dela, o sujeito se relaciona de forma
ativa com o meio a sua volta, imprimindo um significado único e original aos conteúdos
culturais veiculados pelos diferentes jogos.O jogo é construtivo pois pressupõe
uma ação do indivíduo sobre a realidade, motivando e possibilitando a criação de
novas ações . Desenvolve sua imaginação levando-o a compreender o mundo que o
cerca.
Jogos Inteligentes
Os jogos de
regra apresentam características mais complexas do que a espontaneidade imediata,
atingindo assim, o controle do pensamento operatório concreto. Neles existem o
prazer do exercício e o domínio das categorias espaciais e temporais, bem como, a
socialização de condutas que caracterizam a vida adulta. As regras determinam a
ação dos participantes, estabelecem limites para esta ação e são necessárias para
que as convenções sociais e os valores morais sejam transmitidos a cada um dos
participantes. Segundo Alexis Leontiev, é na atividade lúdica que desenvolvemos
a habilidade de nos subordinar a uma regra, mesmo quando um
estímulo direto nos impele a fazer algo diferente. Conforme Leontiev, "Dominar as regras significa dominar seu próprio comportamento, aprendendo
a controlá-lo, aprendendo a subordiná-lo a um propósito definido. "As
regras funcionam como um auto-regulador de emoções, pensamentos e
comportamento, levando o indivíduo a formação de sua ética futura.
As estratégias
de ação, a tomada de decisão, a análise dos erros, o lidar com perdas e ganhos, a
postura de repensar uma jogada em função de outro participante, são princípios
fundamentais para o desenvolvimento do raciocínio, das estruturas cognitivas do
indivíduo.
A educação deve procurar desenvolver o processo da inteligência de modo que indivíduo
seja capaz de ir além dos hábitos culturais de seu mundo, capaz de inovar, por mais
modesta que seja esta inovação, de modo que possa criar uma cultura interna
própria, cada homem tem que ser seu próprio artista, seu próprio cientista, o seu
próprio navegador.
Fonte:
Araújo,I.R.O. 2000.A Utilização de Lúdicos para Auxiliar a Aprendizagem e Desmistificar o Ensino da Matemática.
Dissertação Mestrado Engenharia de Produção - UFSC