Rosemeire Alves Lourenço
As palavras brinquedos, brincadeiras e crianças estão diretamente ligadas uma às outras.Todas as sociedades reconhecem o brincar como parte da infância. Os primeiros registros desse reconhecimento foram obtidos através de escavações arqueológicas e datam de um período em que nossa espécie sobrevivia da caça e da coleta ( FRENZEL, 1977). Essa nobre atividade da infância é destacada em várias concepções teóricas por autores como Piaget, Vygotsky, Leontiev e Elkonin onde cada um, à sua maneira, mostra a importância da brincadeira para o desenvolvimento infantil e aquisição de conhecimentos.
Partindo de concepções teóricas de que a criança tem sua curiosidade despertada por jogos e brincadeiras e através deles se relaciona com o meio físico e social e, dessa forma, amplia seus conhecimentos; desenvolve habilidades motoras, cognitivas ou lingüísticas, por que então as escolas dispensam essas maravilhosas ferramentas?
A escola e, principalmente, a Educação Infantil deveria considerar o lúdico como parceiro e utilizá-lo amplamente para atuar no desenvolvimento das crianças. Segundo VYGOTSKY apud MARTA KOHL (1995), o brinquedo cria uma zona de desenvolvimento proximal na criança, aquilo que na vida real passa despercebido por ser natural, torna-se regra quando trazido para a brincadeira.
As crianças fazem das brincadeiras uma ponte para o imaginário, a partir dele muito pode ser trabalhado. Contar, ouvir histórias, dramatizar, jogar com regra, desenhar, entre outras atividades constituem meios prazerosos de aprendizagem. Através delas as crianças expressam suas criações e emoções, refletem medos e alegrias, desenvolvem características importantes para a vida adulta. O raciocínio lógico, a aceitação de regras, socialização, desenvolvimento da linguagem entre as crianças são algumas importantes habilidades desenvolvidas durantes as brincadeiras. No entanto, ainda hoje, na visão do educador a brincadeira e o estudo ocupam momentos distintos na vida das crianças. O recreio foi feito para brincar e a sala de aula para estudar, cabe a outro profissional o papel de interagir com o aluno em uma brinquedoteca, e o parque, é apenas um momento de descanso dos afazeres escolares ou para distrair a turma, muitas vezes com brinquedos inadequados para a idade ou longe do alcance das crianças.
O lúdico perde com isso seus referenciais e seu real significado, acompanhando as exigências de uma sociedade tecnológica, que exige um homem cada vez mais capaz de responder ao mercado de trabalho, onde a competitividade é a realidade, cada vez mais cedo, e um indivíduo produtivo é o que se espera.
“É preciso que os profissionais de educação infantil tenham acesso ao conhecimento produzido na área de Ed. Infantil em geral, para repensarem sua prática, se reconstituírem enquanto cidadãos e atuarem enquanto sujeitos da produção, para que possam mais do que “implantar” currículos ou “aplicar” propostas à realidade da creche/pré-escola em que atuam, participar da sua concepção, construção e consolidação”. (KRAMER apud MEC/SEF/COEDI, 1996 p.19)
O brincar é caminho natural do desenvolvimento humano, é competente nos seus efeitos e oferece a quem dele faz uso, a construção de uma base sólida para toda a vida, pois é capaz de atuar no desenvolvimento cognitivo e emocional de forma natural e harmônica.
Rosemeire Alves Lourenço - Professora c/formação: letras português - USC - Uuniversidade do Sagrado Coração de Bauru - SP; Especializando em gestão educação escolar - fecap/integrale. Coordenadora da Educação Infantil do Colégio Fênix de Bauru - SP.