A influência do lúdico no Desenvolvimento do indivíduo.
O
anseio natural para brincar pode ser muito bem utilizado no desenvolvimento das
habilidades que devem ser conduzidos através de uma crescente variedade de
atividades, favorecendo assim, a exploração de si próprio e do seu
ambiente.
Todos temos um lugar específico na sociedade, fazemos parte da
natureza. O jogo é uma forma de representar o contexto em que estamos inseridos,
independente da época, classe social e outros fatores.
Ludismo e interação
social
No processo evolutivo que caracteriza o desenvolvimento humano,
especialistas e estudiosos do assunto, consideram que o potencial lúdico tem
função muito importante.
A medida que o indivíduo vai se libertando do
princípio do prazer, e passa a interagir com a realidade buscando equilíbrio
entre a satisfação e não- satisfação de seus impulsos mais primitivos, bem como
o equilíbrio de sua emoção, sua afetividade, ele precisará de um elemento que é
o brincar. Cuja função permite que se adapte ao meio e passe a valorizar os
demais integrantes e respeitar regras e valores.
Desde o nascimento, embora a
criança seja aparentemente passiva, vínculo afetivo são estabelecidos entre ela
e outras pessoas. Esses vínculos irão acumulando dia- a- dia, à medida que o
indivíduo se desenvolve e a interação se sucede, fazendo uso de outros canais de
comunicação. Com o passar do tempo, ela vai tomando consciência de si mesma,
sendo um processo em que o indivíduo vai se individualizando e
socializando.
Sabemos que o lúdico influencia no desenvolvimento do indivíduo
e na vida de relação do ser humano em uma perspectiva mais ampla, de acordo com
a natureza social, política e holística, por isso os gestores de RH não podem se
manter desinformados em relação a influência do lúdico na relação social e no
âmbito profissional deve ser propiciado aos colaboradores o maior número de
situações grupais, pois o universo apresenta uma dimensão mais ampla do que o
lar ( que na maioria das vezes o indivíduo passa período curtos de tempo),
propiciando um aumento das possibilidades de relações inter-pessoais dos
colaboradores. As interações entre as pessoas estão estruturadas nos processos
sociais, que trazem incluídos valores que tem sido fermentado pela
cultura.
Do ponto de vista psicológico, Vygotsky (1997) atribui à ludicidade
um papel importante : que é o de preencher uma atividade básica do ser humano,
ou seja, ele é motivo para a ação, pois permite que ele comporte-se num nível
que ultrapassa o que está habituado a fazer.
Vygotsky observa que o indivíduo
apresenta em seu processo de desenvolvimento um nível que ele chamou de real e
outro de potencial ou proximal. O real refere-se as etapas já alcançadas pelo
indivíduo, ou seja, as coisas que ele consegue fazer sozinho. Já o potencial diz
respeito à capacidade de desempenhar tarefas com ajuda dos outros, isso quer
dizer que a criança está inserida num contexto social e seus comportamentos são
frutos do processo de relações interindividuais, cabe então fazer com que o
indivíduo avance na sua compreensão do mundo a partir do desenvolvimento
consolidado, pois a brincadeira pressupõe uma aprendizagem social.
Podemos
observar que desenvolver atividades lúdicas contribui para melhor conhecimento
do grupo, além de desenvolver cooperação, interação, desibinição, socialização,
significa recrear-se, porque é a forma mais completa que o indivíduo tem de
comunicar-se consigo mesmo e com o mundo, pois no ato de brincar, ocorre um
processo de troca, partilha, confronto e negociação, gerando momentos de
desiquilíbrio e equilíbrio, propiciando novas conquistas individuais ou
coletivas.
Quando brincamos, trabalhamos pensamento, movimentos, gerando
canais de comunicação, onde a linguagem cultural própria do ser humano o
transforma, pois sabemos que o brincar é um aspecto fundamental para chegar ao
próprio desenvolvimento.
Uma proposta sócio - pedagógica para o
desenvolvimento de RH
Uma das características marcantes na criança é a
intensidade da atividade motora e a fantasia. Mas sabemos que mesmo na fase
adulta não perdemos as fantasias de criança e não podemos viver para trabalho e
deixar de pensar em ter momentos de relaxamento ou prazer.
É difícil
compreender e explicar o fato de algumas empresas submeterem seus colaboradores
a imobilidade. Pois apesar de tudo, mesmo com todas as tarefas a cumprir, o ser
humano necessita de momentos para seu bem-estar. O trabalho se tornará prazeroso
se ao colaborador for dado o direito à liberdade para pensar, buscar novas
soluções, criar novos caminhos em busca de respostas, desenvolvendo com isso um
pensamento crítico, tornando-o cidadão participante e efetivamente atuante em
sua sociedade pois a ludicidade é um recurso que corresponde a um impulso
natural do indivíduo, satisfazendo uma necessidade interior.
Enquanto
pegagoga pude perceber que a atividade lúdica tem perdido seu valor enquanto
conhecimento a ser vivenciado e usufruído e pode ser utilizado como instrumento
pedagógico e recurso e adaptadas, pois suas regras devem ser experimentadas,
construídas, contextualizadas e alteradas quando necessário.
Sendo assim,
para obtenção do real sucesso nos objetivos de formação do indivíduo, é
necessária que se atribua a ludicidade a dimensão de fenômeno social. Entendo
que cada grupo social possui uma visão sobre sua prática, como parte de sua
cultura, sendo essa cultura chamada cultura popular. Sendo assim, os anseios e
necessidades do ser humano devem ser considerados desde sua infância até a fase
adulta e não podemos privá-los destes momentos de prazer e conhecimento
próprio.
Devemos valorizar e viver o lúdico a cada momento, o presente, o
agora. É aqui que chamamos a atenção para a necessidade de formar gestores
capazes de conhecer, compreender estes processos e sua extrema importância no
campo profissional. O próprio gestor que lida com os colaboradores pode ser um
agente desencadeador de comportamento inadequado, quando, não atende as suas
reais necessidades, atuando mais como um elemento inibidor de
potencialidades.
Percebemos que estas colocações conferem maior relevância à
necessidade do que programas prontos, cujas atividades muitas vezes estão
distantes da realidade lúdica do colaborador.
O brincar não pode portanto
ser considerado uma atividade complementar a outras, mas uma atividade para a
construção da identidade cultural e da personalidade.