A influência do lúdico no processo de formação social do indivíduo

Jocineide Ribeiro
Pedagoga da PREFEITURA MUNICIPAL DE JAPERI

A influência do lúdico no Desenvolvimento do indivíduo.
O anseio natural para brincar pode ser muito bem utilizado no desenvolvimento das habilidades que devem ser conduzidos através de uma crescente variedade de atividades, favorecendo assim, a exploração de si próprio e do seu ambiente.
Todos temos um lugar específico na sociedade, fazemos parte da natureza. O jogo é uma forma de representar o contexto em que estamos inseridos, independente da época, classe social e outros fatores.
Ludismo e interação social
No processo evolutivo que caracteriza o desenvolvimento humano, especialistas e estudiosos do assunto, consideram que o potencial lúdico tem função muito importante.
A medida que o indivíduo vai se libertando do princípio do prazer, e passa a interagir com a realidade buscando equilíbrio entre a satisfação e não- satisfação de seus impulsos mais primitivos, bem como o equilíbrio de sua emoção, sua afetividade, ele precisará de um elemento que é o brincar. Cuja função permite que se adapte ao meio e passe a valorizar os demais integrantes e respeitar regras e valores.
Desde o nascimento, embora a criança seja aparentemente passiva, vínculo afetivo são estabelecidos entre ela e outras pessoas. Esses vínculos irão acumulando dia- a- dia, à medida que o indivíduo se desenvolve e a interação se sucede, fazendo uso de outros canais de comunicação. Com o passar do tempo, ela vai tomando consciência de si mesma, sendo um processo em que o indivíduo vai se individualizando e socializando.
Sabemos que o lúdico influencia no desenvolvimento do indivíduo e na vida de relação do ser humano em uma perspectiva mais ampla, de acordo com a natureza social, política e holística, por isso os gestores de RH não podem se manter desinformados em relação a influência do lúdico na relação social e no âmbito profissional deve ser propiciado aos colaboradores o maior número de situações grupais, pois o universo apresenta uma dimensão mais ampla do que o lar ( que na maioria das vezes o indivíduo passa período curtos de tempo), propiciando um aumento das possibilidades de relações inter-pessoais dos colaboradores. As interações entre as pessoas estão estruturadas nos processos sociais, que trazem incluídos valores que tem sido fermentado pela cultura.
Do ponto de vista psicológico, Vygotsky (1997) atribui à ludicidade um papel importante : que é o de preencher uma atividade básica do ser humano, ou seja, ele é motivo para a ação, pois permite que ele comporte-se num nível que ultrapassa o que está habituado a fazer.
Vygotsky observa que o indivíduo apresenta em seu processo de desenvolvimento um nível que ele chamou de real e outro de potencial ou proximal. O real refere-se as etapas já alcançadas pelo indivíduo, ou seja, as coisas que ele consegue fazer sozinho. Já o potencial diz respeito à capacidade de desempenhar tarefas com ajuda dos outros, isso quer dizer que a criança está inserida num contexto social e seus comportamentos são frutos do processo de relações interindividuais, cabe então fazer com que o indivíduo avance na sua compreensão do mundo a partir do desenvolvimento consolidado, pois a brincadeira pressupõe uma aprendizagem social.
Podemos observar que desenvolver atividades lúdicas contribui para melhor conhecimento do grupo, além de desenvolver cooperação, interação, desibinição, socialização, significa recrear-se, porque é a forma mais completa que o indivíduo tem de comunicar-se consigo mesmo e com o mundo, pois no ato de brincar, ocorre um processo de troca, partilha, confronto e negociação, gerando momentos de desiquilíbrio e equilíbrio, propiciando novas conquistas individuais ou coletivas.
Quando brincamos, trabalhamos pensamento, movimentos, gerando canais de comunicação, onde a linguagem cultural própria do ser humano o transforma, pois sabemos que o brincar é um aspecto fundamental para chegar ao próprio desenvolvimento.
Uma proposta sócio - pedagógica para o desenvolvimento de RH
Uma das características marcantes na criança é a intensidade da atividade motora e a fantasia. Mas sabemos que mesmo na fase adulta não perdemos as fantasias de criança e não podemos viver para trabalho e deixar de pensar em ter momentos de relaxamento ou prazer.
É difícil compreender e explicar o fato de algumas empresas submeterem seus colaboradores a imobilidade. Pois apesar de tudo, mesmo com todas as tarefas a cumprir, o ser humano necessita de momentos para seu bem-estar. O trabalho se tornará prazeroso se ao colaborador for dado o direito à liberdade para pensar, buscar novas soluções, criar novos caminhos em busca de respostas, desenvolvendo com isso um pensamento crítico, tornando-o cidadão participante e efetivamente atuante em sua sociedade pois a ludicidade é um recurso que corresponde a um impulso natural do indivíduo, satisfazendo uma necessidade interior.
Enquanto pegagoga pude perceber que a atividade lúdica tem perdido seu valor enquanto conhecimento a ser vivenciado e usufruído e pode ser utilizado como instrumento pedagógico e recurso e adaptadas, pois suas regras devem ser experimentadas, construídas, contextualizadas e alteradas quando necessário.
Sendo assim, para obtenção do real sucesso nos objetivos de formação do indivíduo, é necessária que se atribua a ludicidade a dimensão de fenômeno social. Entendo que cada grupo social possui uma visão sobre sua prática, como parte de sua cultura, sendo essa cultura chamada cultura popular. Sendo assim, os anseios e necessidades do ser humano devem ser considerados desde sua infância até a fase adulta e não podemos privá-los destes momentos de prazer e conhecimento próprio.
Devemos valorizar e viver o lúdico a cada momento, o presente, o agora. É aqui que chamamos a atenção para a necessidade de formar gestores capazes de conhecer, compreender estes processos e sua extrema importância no campo profissional. O próprio gestor que lida com os colaboradores pode ser um agente desencadeador de comportamento inadequado, quando, não atende as suas reais necessidades, atuando mais como um elemento inibidor de potencialidades.
Percebemos que estas colocações conferem maior relevância à necessidade do que programas prontos, cujas atividades muitas vezes estão distantes da realidade lúdica do colaborador.
O brincar não pode portanto ser considerado uma atividade complementar a outras, mas uma atividade para a construção da identidade cultural e da personalidade.